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A Validação que Destrói: Por que o Cinturão Nunca Preenche o Vazio

Esse filme é um soco no estômago pra quem cresceu ouvindo que seu valor está no que você provê, e não em quem você é. É um filme feito para um público muito específico: jovens que aceitam migalhas de afeto em troca do impossível. A obra expõe a perversidade de uma "idolatria" ao pai onde o amor é condicional e os filhos são classificados em um ranking cruel de favoritismo. A cena do aperto de mão frio no retorno do Kerry e a proibição do choro no velório do próprio irmão resumem essa masculinidade que mata aos poucos. É difícil não sentir o desconforto de ver o Kevin conquistar o "título do povo" e ainda assim sair com uma sensação de derrota absoluta, porque o pai só enxergava o ouro, nunca o filho. No fim, o cinturão não preenche o vazio; os irmãos se amavam, mas foram sacrificados no altar de um homem que nunca soube ser pai. Para quem se identifica com essa busca por validação, é devastador ver que, para eles, a única paz possível era o reencontro na morte, longe da validação porca que receberam em vida, o impacto é avassalador e a cena final no "paraíso" é de quebrar o coração.
Vantagem ou Conexão?

Por que construir uma narrativa inteira colocando a prova amores baseados apenas em sentimentos contra amores calculados e, no final, fazer sua personagem principal escolher justamente o amor que parecia menos vantajoso? Eu acredito que na vida real funciona assim. Na prática, não escolhemos nossos amores com base em vantagens, mas sim nas conexões que sentimos. Superamos problemas, enfrentamos diferenças, mas seguimos ao lado de quem amamos. Se Lucy tivesse escolhido Harry, a mensagem seria que a materialidade é tudo o que existe. Ao escolher John, o recado é outro: o amor não é perfeito, mas podemos tentar... Acredito que Lucy é o reflexo do desejo humano de amar. Mesmo os mais calculistas sabem: o amor, em algum momento, exige irracionalidade. E acreditar no amor não é uma falha; pelo contrário, é o que nos torna humanos.
Perdido nas Próprias Intenções

É um filme que tenta provocar, mas se perde nas próprias intenções. A ideia inicial é forte: mostrar como uma transformação física pode mudar não só a forma como o mundo nos enxerga, mas também como enxergamos a nós mesmos. No entanto, à medida que a história avança, tudo começa a soar incoerente, quase desconectado da proposta inicial. Ao longo da história, senti que o roteiro tenta simplificar demais algo que é muito mais complexo. A mensagem de que “a autoestima muda tudo” soa bonita, mas também ingênua, quase como se ignorasse as camadas reais do preconceito e a solidão. E o final… parece simplesmente sem sentido, como se o roteiro tivesse desistido de concluir o que começou. Tive a sensação de que ele queria dizer algo importante, mas acabou não dizendo nada.