Reviews by
hyyh;

â âyouth is never coming back, but our most beautiful moment in life is still yet to come.â meninos, como pode caber tanto amor em uma Ășnica escolha? faz oito anos que a palavra escolha ganha um significado cada vez maior para mim. em algum momento, eu apenas senti que eram vocĂȘs â e, desde entĂŁo, tudo seguiu naturalmente. a vida nunca foi fĂĄcil. existem decisĂ”es difĂceis, dias vazios, silĂȘncios que pesam. ainda assim, de algum jeito, vocĂȘs tornam o caminho mais leve, mais compreensĂvel. nĂŁo sei exatamente como fazem isso, mas conseguem. nĂŁo sei se foi a nostalgia que ajudou a moldar quem sou hoje, mas sei que sinto falta de muitos momentos bonitos que vivi, e tantos deles moram nas mĂșsicas de vocĂȘs. mĂșsicas essas que caminharam comigo em fases diferentes, que dividiram espaço com meus dias, minhas dores e minhas alegrias. em cada uma delas, encontrei conforto. em cada um de vocĂȘs, enxerguei um pouco de mim. de qualquer forma, por mais clichĂȘ que isso soe, os anos podem passar, novas fases podem chegar, a primavera pode correr inĂșmeras vezes⊠os sete sempre estarĂŁo ao meu lado. acho que vocĂȘs sĂŁo meu coração. e meio que isso, por si sĂł, jĂĄ diz muito.
offstage

hĂĄ artistas que fazem sucesso, e hĂĄ aqueles que atravessam geraçÔes como se nunca fossem embora. michael jackson sempre me pareceu desse tipo raro, alguĂ©m que transformava som em acontecimento e presença em algo quase impossĂvel de ignorar. âMichaelâ me envolveu do inĂcio ao fim. mesmo conhecendo alguns capĂtulos de sua vida, ainda senti entusiasmo cada vez que uma canção surgia, como a construção se desenvolvia, algo de familiaridade das mĂșsicas reacendendo a sala de cinema. o filme funciona melhor quando entende que michael nunca foi apenas uma figura pĂșblica. existia o astro absoluto, o perfeccionista, o homem observado por todos e, ao mesmo tempo, alguĂ©m marcado por fragilidades difĂceis de esconder â um humano preocupado em levar sua mensagem para todos, fazer as pessoas se sentirem ouvidas â essa contradição sempre fez parte do fascĂnio em torno dele, e a produção consegue captar parte disso sem transformĂĄ-lo em algo distante demais. jaafar Ă©, sem dĂșvida, o centro de tudo. como ele consegue ser tĂŁo parecido? a forma como incorpora gestos, expressĂ”es e a energia corporal que tornavam michael tĂŁo ele. tambĂ©m achei importante que o filme nĂŁo apagasse totalmente os aspectos mais desconfortĂĄveis da trajetĂłria familiar. a dureza de certas relaçÔes (a do pai em completo destaque) continua presente, especialmente quando poder, cobrança e interesse passam a ocupar o lugar do afeto e apoio. onde o longa mais perde força, para mim, Ă© na pressa. hĂĄ fases inteiras que mereciam mais cuidado, mais desenvolvimento e mais espaço para respirar. ainda assim, ver tudo isso no cinema acrescentou uma camada especial Ă experiĂȘncia. havia pessoas de vĂĄrias idades, fĂŁs empolgados, comentĂĄrios animados antes da sessĂŁo começar e aquela sensação coletiva de estar prestes a revisitar algo importante. nĂŁo parecia somente uma estreia, era como se todos estivĂ©ssemos esperando o ressurgimento do michael em algum momento, ao vivo. e preciso admitir, ouvir essas mĂșsicas em caixas de cinema jĂĄ teria valido a ida! quando entrou o solo de guitarra de âBeat Itâ, fiquei genuinamente feliz de um jeito completamente inesperado. sabe aquelas alegrias pequenas e sinceras que surgem sem aviso? me senti exatamente assim. nĂŁo Ă© um filme impecĂĄvel, e na verdade nem precisava ser para funcionar comigo. sai da sala com nostalgia, entusiasmo e lembrando que algumas presenças continuam enormes mesmo na ausĂȘncia. sai pensando mais nele como pessoa do que como artista, e isso meio que jĂĄ diz muito. đœđ: espero que a parte 2/continuação tenha a mesma essĂȘncia e conforto que senti ao assistir esse filme. dito isso, the king is still with us.