Diary entries forThe Killer

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congratulashayla

The Killer

Um remake deve, em sua teoria, ser uma releitura de uma obra de forma que essa nova versão agregue ou ressignifique algo. Eis que Woo recria um de seus clássicos se adequando a um cinema digital que abraça tendências de um cinema de ação contemporâneo, mas sem perder de vista sua encenação. As performances corporais, a decupagem que encena tudo, em sua maioria, em um único take e uma performance física que abrange os corpos dos intérpretes mesmo com uma encenação mais simples. Sinto falta do exagero de cores e esses cenários que remetem a algo mais lúdico, mas no geral ainda é um bom filme. O mais surpreendente aqui é esse ser um filme heterossexual, porém não chato, do John Woo. Um filme onde no final os protagonistas são realmente amigos e não um casal. Woo é gigante demais como pode!?

2d ago
joaomarco2003's profile
joaomarco2003

The Killer

O cinema do John Woo é totalmente caracterizado pela performance, por essa estilização que se adequa e acompanha o movimento constante da encenação; a progressão é fundamental na natureza operística em que ele ambienta os corpos no espaço na concepção desse balé coreográfico dos tiroteios - a exemplo daqui, a câmera dele não dá pausas, estabelece plano e contraplano em um único take ou através da passagem de uma taça, circunda os personagens em uma conversa, se aproxima com o zoom; o dispositivo está sempre reafirmando sua presença. Até por isso, o - inusitado, diga-se - remake de seu clássico lançado em 1989 parece mais distante das ditas tendências de ação hollywoodianas estabelecidas pelo trabalho do Stahelski com John Wick do que sua película anterior. Sem o apadrinhamento dos produtores da franquia, Woo parece liberto para encontrar o lado burlesco que a rigidez daquele filme - mesmo com o saldo positivo - parecia tímido em exibir. E nisso, Nathalie Emmanuel é impecável como essa interseção entre a letalidade silenciosa do pistoleiro sem nome do Eastwood e a finese de uma Carmen Sandiego, com seu sobretudo que a configura nessa personificação mitológica mas ainda sensível na sua tensão sáfica com a personagem de Diana Silvers e nos close-ups administrados pelo cineasta. Que o diretor chinês parece se divertir com as acrobacias, saltos, explosões e firulagens (onde, quando e quem você veria alguém usar as divisões do plano em meio a Hollywood que elevou alguém como Nolan ao posto de "talentoso"?) é evidente, mas The Killer parece realmente raro. Em sua forma, estilo e até mesmo em tratamento da dramaturgia, sempre frontalizada e desinibida dos seus exageros.

3d ago