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congratulashayla

Charcoal

Na região rural do Brasil, uma família composta por pai, mãe, filho e avô (sendo que esse está extremamente doente) passam por problemas financeiros que os levam a aceitar um trato com uma enfermeira que está escondendo um traficante refugiado. Em Carvão, Carolina Markowicz conta uma história sobre pessoas simples no interior que vivem em situação de dificuldade onde o negócio da família, a produção de Carvão, não está gerando o suficiente para sobreviver e com a questão de um idoso doente a situação se agrava. O fato de o filme discutir moral cristã em contraste a tudo que uma pessoa desesperada está disposta a fazer para superar uma crise financeira é algo que é maravilhosamente bem contado, uma vez que o fato da família abrigar um traficante revela ao público a hipocrisia e controversa que uma família simples de interior pode esconder. O longa tem doses de reflexão pontuais que colocam pontos como a violência que se perpétua de forma geracional podem tanto ser por uma questão moral como material. É difícil discutir a criação de filhos e uma geração melhor, quando a geração anterior não possui as formas materiais para tal. A idéia de que indivíduos são bons ou maus por conta do local de onde eles vieram pode ser algo mais profundo do que o conceito básico maniqueísta de bem e mau em essência. Aqui a diretora usa seu elenco, locação e texto alta exibir figuras imperfeitas. É muito interessante o fato de que uma cidade pequena os boatos correm muito rápidos então a todo momento os adultos da família ficam em alerta. É muito curioso que o expectador tem acesso a informações que demais personagens não tem e a paranóia deles casa com as informações que nós temos e cria um cenário no qual nenhum dos dois sabe se tal paranóia é certa ou errada. O que sobe o seguinte pensamento, será se a desconfiança de terceiros é pelo fato deles abrigarem um traficante ou algo mais... Algo mais íntimo que nem eles sabem ao certo!? No mais, Carvão é um filme muito hábil em contar uma história de pessoas imperfeitas que movidos por uma necessidade material, ultrapassam seus limites morais. Um texto que discute a hipocrisia dos modelos de relacionamento e família nuclear em um cenário que pouco é explorado ou intocado. Alinhado a uma direção que tem o primor técnico de nos incomodar e surpreender com tão pouco só torna essa experiência mais engrandecedora e consolida não só esse filme como um filme muito bom, como Carolina Markowicz uma cineasta incrível!!!

2d ago