Reviews forHarry Potter and the Half-Blood Prince
“I must obey my master.”

O sexto ano tem um gosto estranho. Não é mais aquele medo barulhento dos filmes anteriores. É um medo silencioso, que anda pelos corredores como se estivesse esperando alguém tropeçar nele. E o pior é que todo mundo finge que está tudo bem. Até o Dumbledore, que passa o filme inteiro com aquele olhar de quem sabe mais do que deveria — e menos do que gostaria. O Harry está diferente. Não é mais o garoto que reage ao perigo; é alguém que começa a entender que o perigo está dentro das pessoas, não só nas criaturas. O Snape, por exemplo. Ele passa o filme inteiro como um enigma ambulante, e quando você acha que entendeu, ele vira outra coisa. Ou talvez sempre tenha sido. E aí tem o Draco. Nunca vi um personagem tão quebrado tentando parecer inteiro. Ele anda pelo castelo como se carregasse um segredo que pesa mais que ele. E pesa mesmo. O Slughorn é quase um alívio cômico, mas um alívio triste. Ele é engraçado, mas vive fugindo da própria culpa — e isso deixa tudo mais humano do que eu lembrava. Visualmente, o filme é lindo de um jeito melancólico. Tudo parece meio lavado, meio frio, como se o mundo mágico estivesse perdendo a cor aos poucos. E talvez estivesse mesmo. A cena da caverna… não sei nem como descrever. É desconfortável, é cruel, é necessária. É o momento em que o Harry percebe que o herói que ele admira também é humano — e que isso dói. E o final… Bom, o final é aquele tipo de silêncio que fica preso na garganta. Não tem música épica, não tem discurso, não tem vitória. Só perda. E um castelo inteiro tentando entender como seguir em frente.