Diary entries forRouge
Rouge
'i'm done waiting.' gahhhhhdamn.
Rouge
— Coisas reais são sempre feias. A coisa mais real e assombrosa de todo Rouge é a percepção de que Fleur nos contou a verdade desde o começo. A realidade é feia; não é romântica e poética como queremos pensar que é. E é isso que me deixou mais envolvida com a história enquanto assistia. Por mais que eu tivesse previsto, de alguma forma, o que aconteceria no final, ainda fui positivamente surpreendida. Uma narrativa que se aproveita do fantástico para discutir assuntos tão humanos quanto amor e devoção. Talvez o ponto mais alto para mim tenha sido a desconstrução da visão do amor perfeito estar intrinsecamente ligado ao autossacrifício. Ao contrário, o filme volta às raízes do romantismo e trabalha com a ideia de que o sacrifício sempre é unilateral, ainda utilizando o contexto de uma cortesã e um homem rico. Quando a história se desenrola, também é possível notar aquele contexto sobre o papel feminino na sociedade e dentro das suas relações, onde não se espera nada além da mais absoluta honra e entrega. Mulheres como objetos pertencentes aos homens, totalmente à mercê de seus desejos. No momento em que Fleur descobre o que aconteceu com o homem que amou até mesmo após a morte, é muito triste e libertador. É o momento em que Fleur deixa de ser uma agente passiva da sua própria vida e se torna ativa, escolhendo deixar de esperar por alguém e seguindo em frente. É uma discussão muito interessante sobre a imagem do que é o amor, trazendo um contraste de passado e presente para podermos refletir qual é o limite. Além disso, a fotografia do filme é lindíssima, principalmente nos momentos de 1930.