Reviews forHarry Potter and the Chamber of Secrets
“It is our choices, Harry, that show what we truly are.”

Hoje voltei para a Câmara Secreta e tive aquela sensação estranha de revisitar um lugar que eu conheço bem, mas que sempre parece um pouco mais escuro do que eu lembrava. O segundo ano em Hogwarts tem um clima diferente — menos encantamento, mais tensão, como se o castelo estivesse segurando a respiração o tempo todo. A primeira coisa que me pegou foi como tudo começa meio caótico: o Dobby aparecendo do nada, o carro voador, a árvore que literalmente parte pra cima dos meninos. É como se o filme dissesse logo de cara: “relaxa não, porque esse ano vai ser puxado”. E realmente é. As mensagens escritas na parede, o medo espalhado pelos corredores, os alunos petrificados… Hogwarts nunca pareceu tão vulnerável. E isso faz o Harry parecer mais sozinho do que nunca, mesmo cercado de gente. É como se ele estivesse começando a entender o peso de ser quem é — e isso aparece no olhar dele, mais do que nas falas. O trio está mais afiado. A Hermione continua sendo a pessoa mais competente de toda a escola (adultos inclusos), o Ron está no auge do humor involuntário, e o Harry… bom, o Harry está descobrindo que coragem não é só enfrentar monstros, mas enfrentar dúvidas sobre si mesmo. E aí tem o Lockhart. Kenneth Branagh entrega um dos personagens mais deliciosamente irritantes da saga. Ele é tão narcisista que chega a ser fascinante. Toda vez que ele aparece, parece que o filme dá uma piscadinha irônica. A parte final, dentro da Câmara, ainda funciona muito bem. O basilisco é ameaçador, o diário do Tom Riddle é perturbador na medida certa, e a resolução tem aquele toque clássico de “Hogwarts quase caiu, mas tá tudo bem, até a próxima catástrofe”. Saí com a sensação de que A Câmara Secreta é o momento em que a saga começa a crescer de verdade. Ainda tem o brilho infantil, mas já dá pra sentir a sombra do que está por vir. E isso deixa o filme com um sabor agridoce que eu não percebia quando era mais novo.