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Akira Kurosawa: My Life in Cinema
Muito interessante ver como o Akira Kurosawa pensava diferente dos diretores japoneses de sua época, mesmo que a sua formação tenha sido inteiramente dentro dos estúdios de cinema. Apesar do diretor não ser considerado uma influência na Nouvelle vague japonesa, assim como o Nagisa Ōshima que buscava rouper com as tradições dos estúdios e ser mais experimentalista, ele também trilhou seu próprio caminho para desenvolver seu estilo autoral como diretor e roteirista. Nagisa Oshima teve uma relação crítica e de revolta com a obra de Akira Kurosawa em sua juventude, vendo Kurosawa como um cineasta condescendente com o público ocidental, que representava para Oshima o oposto de seu desejo por um cinema japonês autêntico. Contudo, essa posição amoleceu com o tempo, e Oshima entrevistou Kurosawa em 1993, demonstrando um respeito mútuo entre os dois ao final de suas carreiras. Oshima, como um jovem cineasta de esquerda, revoltou-se contra o estilo de Kurosawa, que ele via como uma concessão aos gostos e valores ocidentais para garantir a presença do cinema japonês no público mundial. A obra de Oshima, especialmente filmes como "O Império dos Sentidos", era um contraponto direto à censura e ao humanismo de Kurosawa, com Oshima defendendo que a verdade não era obscena.