Diary entries forRun of the Arrow
Run of the Arrow
Muito curioso que o Fuller tenha lançado dois faroestes com essa veia revisionista no mesmo ano, mas embora tenha adorado Dragões da Violência, não tive o mesmo impacto com Renegando Meu Sangue, ainda é melhor que Rastros de Ódio (o que não é muito difícil), mas existe um sentimento aqui que eu não sei descrever ao certo. Acho muito instigante a forma como o Fuller constrói seu protagonista com uma mágoa, um rancor e uma raiva de um país que ele renega após a derrota do Sul durante a guerra de Secessão e existe uma contradição inerente a essa renúncia da própria pátria quando ele decide ir pro Oeste. O protagonista que se denomina como "Tradicional, Branco e Cristão" busca asilo e aceitação em tudo que vai nessa contramão ideológica. A forma como o filme desde o início mostra um momento de falha, de derrota, o fim de uma guerra e aproxima até que bastante o público dos indígenas. Seja com a participação de Coiote Andarilho como mentor e guia ou com essa família postiça composta por Mocassim Amarelo e a criança muda. Acho curioso como mesmo na renúncia da pátria dos Estados Unidos o ex oficial O'Meara não consegue desvencilhar questões mais tradicionais se sua criação. É menos sobre uma questão plural (afinal ele não é o único rebelde solitário contra o país) e sim algo individual, o começo do filme já deixa bem claro com a família dele e as pessoas da região conformadas com essa derrota. Algo que o filme verbaliza de forma bem literal, quando o Sul perdeu não foi o fim, foi o nascimento dos EUA, foi um renascimento da nação. Faroeste é muito místico por ser esse gênero que conta a odisseia e triunfo norte americano ao mesmo tempo que o passar dos anos o mesmo gênero é usado pra confrontar tudo isso, incrível!