Reviews forSoul in the Eye
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Alma no olho é um curta-metragem focado na cultura e história do povo africano trazido ao Brasil. O curta se divide em 3 períodos, a chegada dos africanos, a escravidão, e pós-escravidão. Os simbolismos durante o curta são claros, o fundo é branco, algemas brancas impostas a um homem negro africano, e a quantidade de branquitude existente na tela demonstra a dominação branca europeia. O preto no branco, o branco no preto. Embora sem diálogos ou monólogos, o curta apresenta seu primeiro simbolismo: a música afro-americana, o jazz, movimento de contracultura. O primeiro período, a chegada dos africanos, a violência de ser tirado de seu lar, a sensação de não ser tratado como uma pessoa. Os africanos são retirados da África para trabalhar como mão de obra escrava no Brasil. O segundo período, a escravidão, o período que mais matou e torturou pessoas na história, escravidão moderna, baseado na cor. O simbolismo aumenta, agora, sendo objetificado, alma no olho, através do olho sua alma é aparente; a angústia, o medo, a resistência, a dor, o sofrimento. O terceiro período, pós escravidão, a resistência, a resiliência, a força da esperança embaladas pelo preconceito estruturado na sociedade. O curta me lembra de um contexto histórico de extrema importância para a valorização da cultura africana. A casa da Tia Ciata, considerada o berço da África. Em meio o fim da escravidão, os negros foram marginalizados e invisibilizados, o que acontece quando você perde a própria identidade? O que acontece quando você não pode exercer sua cultura? O apagamento cultural histórico foi combatido pela resistência que criou raízes na cultura brasileira. A casa da Tia Ciata era um refúgio em que os africanos podiam exercer sua cultura e costumes, expressando a sua liberdade. A liberdade aprisionada, o curta ainda simbolizando, retrata o crescimento do som da música, o crescimento de preto na cinematografia, mas ainda enxergamos claramente o branco. Quebrar as algemas brancas, ser livre, a casa da Tia Ciata representava um pequeno ponto de liberdade no Rio de Janeiro, embora, envolto da prisão branca. Isso leva aos tempos atuais, passa-se séculos nos onze minutos de curta, atemporal; A lei obriga a instituição educacional a fornecer conteúdo sobre a valorização da herança africana (tema enem 2024) mas isso é totalmente desobedecido quando a instituição educacional se baseia na sociedade estruturada no racismo, a escola não se preocupa em contar o que ocorreu com os africanos antes, durante e depois da escravidão. Viemos de raízes africanas desconhecidas pelo Brasil por causa da desvalorização de um povo que sofre. A sociedade foi ensinada a abominar o negro e sua cultura, o cabelo do povo africano, sua religião, sua música, seus traços faciais. O negro no poder é embraquecido, o negro no poder é morto, questionado, odiado. Bulbul retrata isso perfeitamente apenas com as ações e pensamentos por trás da alma, ele interpreta a angústia de quem sofre das raízes racistas da sociedade, de quem é esteriotipado e visto como objeto. O pensamento crítico e a valorização, embora tardia desses povos representa a resistência para que a cultura não morra, e, é infeliz saber que a cultura brasileira é constituída de elementos da cultura africana e mesmo assim a herança africana não é valorizada como deveria. A imagem construída em cima dessa população afeta em tudo. Certa vez, um colega me disse que passava até longe de quem é da religião de matriz-africana, disse da energia negativa, e todos se chocaram com a fala, mas não disseram nada, ele não prestava atenção nas aulas e muito menos respeitava outras minorias, concluímos que: a educação transforma o pensamento. Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista.l