Diary entries forThe Best Friend
The Best Friend
Amores e desamores na Broadway de Canoa Quebrada! Todo o diálogo do protagonista com a Deydianne Piaf vivem gravados a ferro e fogo na minha mente e a cena dela apagando o cigarro na parede... Lindo lindo lindo! Allan Deberton você tem os gays!
The Best Friend
Segunda vez assistindo, incrível como consigo entender e odiar o protagonista ao mesmo tempo. Se projetar em uma mídia que brinca com o íntimo é meio impossível, ainda mais quando você é uma pessoa Queer e ver a história de um outro semelhante com as mesmas dúvidas que você já teve, os mesmos conflitos, os mesmos empecilhos. Você precisa de um tempo, mas o tempo é da pessoa do momento; você precisa de um espaço de sossêgo, mas você não entende sua própria solitude e no meio dessa jornada íntima você esbarra com as piadas do universo. O amigo que sumiu e reaparece despertando sentimentos, o ex grudento que é essa cola, mas também se valoriza ao ponto dele te dar um basta e esse mundo em cores que é a Broadway de Canoas Quebrada contrastando com a sua energia mais melancólica, o mundo é uma composição de luz e sombras quase etéreo, mas você é essa manchinha meio opaca que se destaca do mundo que tá brilhando, cantando e vivendo. O arquétipo do ex-gordo chato que finalmente ganhou um filme pra chamar de seu e um drama romântico que é menos romance e mais uma vida tragicômica. Me arrisco em falar que esse filme tem um dos melhores trabalhos de iluminação e cores que um filme Brasileiro poderia ter esse ano. As cenas noturnas e como ele trabalha sombras e luz é coisa de maluco! A questão musical pode até ser meio tímida, mas em nada sua encenação deixa a desejar. De fazer você sair com coração quentinho e iluminado!
The Best Friend
"E tu, falta o que?" "Eu deixar de ser besta". O exercício formal que transforma o musical em terras cearenses em um melodrama intimista que é identificável pra todo gay que já teve um caso "mal resolvido" ou "incertezas amorosas" ou seja, todos nós. Allan Deberton pega o calçadão da Broadway que é palco de um musical que hora explora as incerteza de Lucas, suas dúvidas, seus amores e suas questões não resolvidas. Um personagem que precisa aprender a ouvir, que precisa expressar e acho muito simbólico como um musical, gênero que se expressa através da fisicalidade, seja o gênero principal aqui. O filme que se inicia com uma viagem para espairecer e o reencontro de dois amigos que nutrem uma amizade e o filme desenvolve até onde é amizade, até onde é uma aventura, até onde é reconciliação. Gosto como o filme não se isenta de uma questão mais física, os corpos que se tocam, os flertes que acontecem de forma mais direta ou indireta. Gosto como o filme segura seu tesão de forma mais contemplativa. São corpos besuntados, são corpos que transpiram e corpos que fodem. Talvez minha maior crítica nesse sentido seja o uso de uma elipse que corte os momentos mais intensos, o que se prova ser uma muleta do cinema Queer atual que infelizmente tira um pouco da fisicalidade da situação, com rara exceção de um outro filme que tem uma cena final de sexo quase explícita de 5 minutos que é 13 Sentimentos (https://boxd.it/7g31tz), mas em contrapartida o filme sabe focar nos momentos de paixão, inclusive quando esse sentimento vem de um personagem e do outro não. E aqui eu falo um pouco sobre Martin que é o arquétipo do emocionado, emocionado esse que não respeita tanto espaço pessoal e o filme falha um pouco em tecer críticas a cerca disso de forma que ou ele sai como um coitado ou insuportável (inclusive eu achei ele ambos). Mas não tem como Deberton tem um fascínio e apreço pelo humor cearense muito forte. Deydianni Piaf rouba a cena. Ela é uma mãe cearense, ela arenga, ela puxa orelha, ela faz o "eu acho bem feito...", mas todos os seus inserts são bem humorados e geram reflexões muito interessantes, destaque para a conversa no beco que começa como uma abordagem mais agressiva, mas aos poucos vira terna e a mesma serve de voz da razão para o dilema moral do protagonista! A questão da busca por uma reposta de uma pergunta que nem o mesmo sabe cria esse cenário onde a Broadway de Canoa Quebrada seja tão mágica e musicada quanto sua homônima que está lá fora. Nisso eu fui de "Amante Profissional" à "What A Feeling" de forma tão prazerosa quanto uma melodia suave! Melhor Amigo é uma fusão bizarra e deliciosa de Guarda-Chuvas do Amor, XSPB4 e Teen Beach Movie e é estranhamente cativante. A história de um personagem que na busca de uma resposta para uma pergunta que nem ele sabe qual é o leva a um final de semana de paixão, tesão e cantoria. Entre os corpos suados e excitados que se beijam, se tocam e gozam, o filme usa o calçadão da Broadway de Canoa Quebrada para criar seu musical que é tão ternuo quanto safico e principalmente: doloroso, mas aquela dorzinha que toda gay que já teve uma incerteza amorosa passa depois de uma conversa ou uma transa duvidosa, ou seja, todas nós! Eu ri, eu me emocionei, eu senti a dor desse protagonista e principalmente sua virada para um recomeço. Uma graça e um tesão!