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congratulashayla

Good Manners

"Chora, me liga, implora o meu beijo de novo. Me pede socorro. Quem sabe eu vou te salvar" Tá pra nascer conceito mais assustador, abstrato e complexo do que a maternidade. A gravidez por si só já é algo que tem suas questões que soam muito um filme de terror. Um corpo menor, mas que está ligado ao da mãe cresce e tem uma espécie de relação parasitária com a mesma. Uma existência que fisicamente não está formada parece ter mais valor que um corpo já formado e que luta pra ter o mínimo de dignidade enquanto vive. Em As Boas Maneiras, Juliana Rojas e Marco Dutra abordam temas como gravidez, culpa e as "consequências" ou possíveis consequências de se quebrar dogmas e questões sensíveis que são vistas como sacras no imaginário popular. Usar a imagem e o corpo feminino como principal agente dessas mensagens é algo que funciona demais. Ao abordar a perspectiva de um ponto de vista da culpa feminina, temos um filme de terror que flerta de forma bem explícita com a fantasia, de forma que quando o elemento fantástico é posto, ele tanto soa assustador como encantador. Juliana Rojas e Marco Dutra parecem ter um fascínio por atuações contidas que aos poucos vão se tornando mais intensas, uma crescente constante que acompanha tanto a trama, a narrativa e a história como um todo. Conforma as situações se agravam, as formas mecanizadas de se expressar vão ficando mais intensas e culminam em ápices que te fazem sentir a transformação de tudo. É muito fascinante a forma como viver em prol de um contrato social, as ditas boas maneiras, é uma zona segura ao mesmo tempo que é uma corrente. Você deve se podar, se retrair e não ousar questionar aquilo que te mantém socialmente aceito. Segurar seu monstro interno, sua culpa interna, seu fardo pessoal e esconder de todos como forma de se proteger, mas principalmente aqueles que te cercam, muitos desses que não vão pensar duas vezes em te caçar quando tal coisa os atinge de forma direta ou indireta. Deixe seu monstro passar fome, mantenha-o preso a correntes e silencie o mínimo de liberdade dos inocentes que não tem culpa pela sua culpa, pelo seu fardo... Ou não. Mais vale permitir que esse "mal" se alimente a deixar ele vivendo podado, acorrentado e silenciado, ainda mais quando esse dito mal é na verdade um corpo que está passando fome, mas vale um passando fome para esconder os perjuros e a hipocrisia dos homens ditos bons?! No mais, As Boas Maneiras é um filme de terror fantasioso que tem como foco explorar a culpa feminina perante a um contexto social ao qual um ato de dois, sempre vai pesar mais quando o dito outro é um corpo feminino e afrontando tradições e dogmas, tanto religiosos quanto folclóricos, aqui temos a personificação da culpa e da rejeição em corpos humanos. Corpos dissidentes e como encontramos nesses mesmos corpos afeto, proteção, medo e carinho. Tanto por nós como pelo outro. Alimente seus monstros, transforme seu motivo de culpa e vergonha em força. Não o deixe passar fome.

2d ago
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₊ lettie ⊹˚ ✿

Good Manners

lésbicas com um filho lobisomem. isso é ARTE

4d ago
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Aakansha

Good Manners

If you like this film especially the second half, I would highly suggest checking out Monstrilio by Gerardo Sámano Córdova — it’s such a cool book. And if I hadn’t read it before watching this, I might have rated this a bit higher

9d ago