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Embodiment of Evil
O retorno de Zé do Caixão e sua despedida, tal qual me despeço do mês do terror, infelizmente com não todos os filmes que eu gostaria de ter visto. Mas falando diretamente de "Encarnação do Demônio" é muito instigante como Mojica parece ser um ponto anacrônico que, graças a evolução técnica tanto de se fazer cinema quanto de explorar sentidos, esse terceiro e último filme da sua trilogia do Zé do Caixão parecem ser um amálgama de todas as ambições que o texto sínico, mas ainda extremamente surreal da abordagem do diretor podem oferecer. Partindo de um ponto sobrenatural, mas que nem o próprio protagonista/antagonista teima em acreditar mesmo depois de tantos anos vendo fantasmas, aqui não é mais uma cidade de interior, agora Zé do Caixão, recluso há 30 anos, retorna para o novo ponto de mazelas sociais e espirituais que é a periferia. O objetivo do personagem segue o mesmo, gerar uma prole maldita para imortalizar seu sangue. Ele muito se beneficia quando abraça o cinema exploitation e torture porn dos anos 2000 e aqui é tudo bem direto, como disse a evolução do cinema tanto em efeitos quanto nas formas de se fazer cinema preservam uma questão mais surrealista dos filmes anteriores, mas sendo esse o último e o que mais atenua as questões de sangue, quando precisa avançar para o grotesco é eficaz, inclusive com cenas que te fazem genuinamente querer virar o rosto. Não é a toa que Mojica e seu Zé do Caixão se tornaram quase que um símbolo folclórico moderno. Quando se fala de símbolo de morte e perversidade, um homem de cartola preta, uma roupa preta, barba desgrenhada e unhas grandes e mal cuidadas é basicamente um dos nossos referenciais modernos. Pagão na forma de se portar perante figuras religiosas de todos os tipos, uma figura de real inclusão, e totalmente antiético e sociopata para com tudo e todos. É um pouco de personagens de um cinema de terror mais clássico com o simbolismo católico apostólico romano que toda sua iconografia e dogmas já é por si só bizarro, mas é uma identidade totalmente brasileira. Zé do caixão nasce, cresce, odeia tudo e todos igualmente, deixa 7 herdeiros malditos e morre. Simples, direto, muito intenso e ainda coloca o dedo na ferida de que: em um mundo onde n Zé do Caixão estava recluso... Não deveria haver mais violência, certo!? Então quer dizer que a violência é justificável quando vêm do estado e tem "carta branca" para parar um mal e se crianças morrem no processo é natural? Entendi, ainda estamos falando de ficção né!?