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The Prowler
Admito que é meu primeiro contato com o cinema Noir propriamente dito e eu não pude deixar de notar o quão... Sombrio ele consegue ser (trocadilho humor e piadas). É extremamente interessante a forma como o filme se inicia. A Priore você acha que vai ser uma história de um stalker perseguindo uma mulher, mas rapidamente ele muda para um filme onde uma ligação a polícia desencadeiam uma série de eventos e fatalidades. Em Cúmplice das Sombras Joseph Losey cutuca uma série de conceitos que colocam em destaque masculinidade, espectativas frustradas (principalmente de mulheres em seu período histórico) e como a melhor das intenções são manchadas de uma reputação mórbidas e um caminho trágico. Utilizar do arquetipo de policial, que na teoria deveria ser o protetor das pessoas, aqui essa figura se mostra usar de uma frustração íntima para conquistar uma mulher que ele julga ser melhor do que o atual marido e se torna o stalker que ele deveria estar caçando. Chega a ser irônica a cena em que ele está observando a personagem de Evelyn Keyes e é nesse momento que um filme que se mostrava um romance controverso se transforma em uma sequência de paranóias, angústias e obsessão. Ao ponto de que você não sabe se uma tragédia foi acidental ou intencional e isso é algo incrível. Some isso a elementos do cinema mudo que estavam deixando de ser a norma e tenha uma composição onde música é um componente que preenche as imagens e enriquece a obra. Um filmaço. No mais, Cúmplice das Sombras é um Noir em toda sua abordagem, desde sua atmosfera, seus temas e aquele sentimento fatalista de acreditar que um homem tem o direito de tomar o que quer, principalmente se for uma mulher, mas que esse tipo de idéia vêm com uma espécie de destino punitivista. Confundir o espectador sobre quem é o "herói" e se amor e obsessão não se confundiram nesse caminho é algo que é muito bem aproveitado e que te prende, fazendo de você o "gatuno" que inicia essa história.