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Copacabana Mon Amour

Cinema experimental em plena ditadura que coloca o mais cru de uma sociedade que vive a pompa da elite enquanto brinca com os contrastes sociais e religiosos de um grupo. Sendo bem sincero não morri de amores por esse e em determinado momento me peguei pensando na morte da bezerra, mas é inegável a forma como o Sganzerla brinca com as imagens e os arquétipos de seus personagens. A filha deserdada de uma família rica e passa a viver em favela e vê na meritocracia da prostituição uma forma de ascensão, ao mesmo tempo que seu irmão é o clássico vagabundo onde ambos nutrem uma relação bem da complexa (pra não falar outra coisa) e todo o trabalho da repetição de palavras, o samba, os cânticos de giras e toda essa contradição estética de um país dominado por uma lógica cristã, mas que a maior parte de seu povo deriva de uma cultura exterminada pela colonização e quem tenta preservar essa identidade cultural e religiosa é jogado pedras. A forma como a lente do Sganzerla é esse caos com o vagabundo que se declara apaixonado pelo patrão, se joga no lixo e eleva a provocação estética da classe média que fode o empregado, aqui de forma literal, e transforma essa questão do status social como o excepcionalismo que difere o patrão do empregado é muito bom. Mas a Sônia Silk de Helena Ignez é o destaque, principalmente por ser o desafio estético mais evidente desde sua primeira aparição, ao invés de se bastar na imagem da periferia o diretor pega o arquétipo da burguesia empresarial do Rio de Janeiro e o transforma em tudo aquilo que ela abomina. Sonia Silk é o furacão oxigenado, ela é o pontinho vermelho e loiro que divide o corpo e a cama do patrão com o irmão e no fim o mata. Tem muito pra crescer em uma revisão!

1d ago