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The Woman in the Window
Adoro como Fritz Lang desde cedo já deixa bem claro que ele vai contar uma história que toda sua nuance gira em torno de controvérsias textuais e ações dos personagens. Em Um Retrato de Mulher Lang brinca com convenções sociais muito interessantes, uma vez que seu personagem é um professor de psicologia e inicia sua aula dizendo ditos acerca de homicídios, inclusive utilizando de passagens bíblicas como gênese de sua idéia, ele deixa bem claro que as condenações por homicídio são variadas. Você não julga com o mesmo vigor uma pessoa que cometeu homicídio em prol de lucro em relação a outra que o fez por auto defesa. E nessa idéia de controversas a cerca do mesmo conceito que seu filme se desenrola. A abordagem do noir é muito interessante, a medida que a figura trágica que nós acompanhamos é um professor de certa idade que divaga a cerca da "utilidade" e o papel dele na sociedade depois de certa idade. A participação da personagem de Joan Bennett cria o cenário de caos e tragédia que acompanha toda a narrativa de investigação onde a paranóia e a culpa fazem com que o professor Richards se veja cada vez mais fundo nessa história e a suspeita só não recai sobre ele, pois o mesmo é um homem de contatos, de influência. Mesmo que a nível acadêmico, isso ainda o torno amigo de um médico e de um promotor que o leva a fundo nessa história mesmo que ele não queira. E todo o segmento final tem como base um plano, supostamente infalível, um aproveitador e uma conclusão que subverte a tragédia e cria um final que é tão icônico quando genuinamente engraçado. No mais, Um Retrato de Mulher é um Noir que tem no seu cerne dilemas a cerca de contradições. Uma reflexão interessante em relação ao papel da figura masculina que saiu do ápice da sua idade e enfrenta dilemas a cerca da idade. A forma como culpa, paranóia e as forças necessárias pra se safar de uma situação te consomem e te embrenham em uma teia de eventos onde a fatalidade seja a única solução e aquele dilema de que: uma fatalidade que te salve de uma situação grave que você mesmo causou, mas veio de um momento de auto defesa... É um ato doloso ou culposo?! Some isso a um final que, embora tenha aquele sentimento fatalista de um Noir, consegue subverter e cria um final tão bom quanto cômico.