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Stars in My Crown
Pra você ver como todo tema quando bem encenado ele é bom, Tourneur faz um negócio que muito cineasta atual não consegue, a encenação da vivência religiosa norte-americana sem soar uma propaganda dos santos dos últimos dias de Jesus Cristo. A forma como o filme se baseia numa visão infantil desse pastor e dessa cidadezinha que vivia uma vida supostamente pacata, mas que encontra seus problemas por questões físicas e o embate do médico com o pastor que alega que seu trabalho é mais importante porque a alma não é seu negócio, o corpo deve se preservar, a vida deve continuar e o pastor que é uma ajuda metafísica se encontra em uma encruzilhada quando começa a acreditar que uma série de tragédia é sua culpa, que ajuda cristã um homem de Deus pode oferecer quando ele é o responsável por tantas perdas?! Até onde a fé de um homem se sustenta e a cena dos dois em constante conflito é simbólico e verborragico sem soar cafona. Mas como nem só de fé vive o homem, Tourneur cria um microcosmos de uma comunidade que se ajuda, se sustenta e vive em comunhão seja para rezar todo domingo ou pra ajudar na reconstrução de uma pequena terra que foi arrasada por um minerador que não tem medo de ameaçar e enforcar esse homem de cor pra permitir a expansão do seu negócio e quando chega no final, o discurso em branco que derruba a força e o ódio desse grupo da KKK sempre enfatizando elementos específicos – o Frame estático na corda da forca é muito forte – e como não tem trilha nessa hora é tudo mais palpável. É só a voz do pastor, o peso na consciência dessas pessoas, o peso de uma culpa cristã que não vê raça e tudo isso num filme, veja bem, cristão... Inclusive a visão do homem negro que não participa diretamente dessa sociedade e que vê num ateu a imagem de um verdadeiro cristão também é muito foda. E pra você ver né, o diretor poderia facilmente pintar aqueles quadros religiosos com pessoas no Éden e animais, mais Tourneur entende as contradições de seu tempo e o frame que denota uma comunhão de indivíduos caucasianos acolhe até um homem que na noite passada tava usando um capuz branco e uma forca, mas não o homem preto que se afasta pra longe quase invisível. Gigante!